Diário de Curitiba

Criador transforma Curitiba em cenário pós-apocalíptico, e vídeo viraliza nas redes

Curitiba já foi retratada como cidade-modelo, postal turístico e até meme recorrente da internet. Nos últimos dias, ganhou uma nova versão improvável: a de cenário para um apocalipse zumbi.

O Reels que circula nas redes sociais mostra pontos conhecidos da capital — como o Jardim Botânico, o Museu Oscar Niemeyer e a Rua XV — cobertos por sinais de abandono, silêncio e degradação. O contraste entre o cotidiano real da cidade e a estética pós-apocalíptica chama atenção logo nos primeiros segundos e convida o espectador a reconhecer os lugares enquanto tenta identificar detalhes escondidos no cenário.

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Foto: Comparação com e sem efeito/arquivo pessoal

O vídeo é criação de Yuji Hayashi, 38 anos, desenvolvedor front-end, formado em Comunicação Social e criador de conteúdo nas horas vagas. Nascido em Belém e morando atualmente em Florianópolis, ele conta que o projeto nasceu do desejo de imaginar cidades brasileiras em narrativas normalmente reservadas ao cinema estrangeiro.

“A gente vê muitos filmes mostrando Estados Unidos, Europa e Ásia em cenários pós-apocalípticos, mas quase nunca o Brasil”, explica. Curitiba entrou naturalmente no projeto. “Eu adoro a cidade. Já tinha viajado algumas vezes e ela era uma fortíssima candidata para morar.”

Apaixonado pelo gênero desde a adolescência, Yuji cita referências que vão dos filmes clássicos de George Romero aos jogos da franquia Resident Evil, passando por séries como The Walking Dead e produções mais recentes como The Last of Us. Segundo ele, o apocalipse sempre foi menos sobre monstros e mais sobre atmosfera, drama e imaginação.

O processo criativo combina ferramentas tradicionais de edição, como Adobe Premiere e After Effects, com o uso pontual de inteligência artificial para composição e animação dos cenários. O maior desafio, segundo o criador, não está em imaginar a cidade destruída, mas em manter cada espaço reconhecível. “Gerar tudo de uma vez com IA descaracteriza o lugar. Eu preciso trabalhar por partes, degradar sem perder a identidade.”

A escolha dos cenários também passa por pesquisa e escuta. Além dos pontos turísticos mais conhecidos, Yuji tenta captar elementos que ajudem os moradores a se reconhecer no vídeo. Em Curitiba, o foco acabou ficando nos cartões-postais, mas ele afirma que o método vem evoluindo a cada novo projeto.

A repercussão superou as expectativas. Comentários citando jogos, filmes e cenas clássicas do gênero se multiplicaram, além de pedidos para que outras cidades brasileiras ganhem versões semelhantes. “As pessoas dizem que já tinham imaginado algo assim. Outras pedem a própria cidade. Isso é muito gratificante.”

Apesar das leituras variadas, Yuji reforça que o objetivo é simples: entretenimento. “É ficção. Um exercício criativo. Um passatempo que eu adoro.” Questões políticas ou interpretações mais profundas não fazem parte da proposta, e ele prefere manter o projeto nesse território.

Curitiba, aliás, também vira personagem nos comentários — com o humor que lhe é característico. “Vi gente dizendo que bastaria dar bom dia para o zumbi que ele desviaria”, conta, rindo. “Isso me fez olhar a cidade com outros olhos.”

O projeto deve continuar. A ideia é levar o apocalipse imaginado para outras cidades brasileiras e, no futuro, talvez transformar o conceito em uma narrativa maior, com personagens e continuidade.

Por enquanto, o convite está feito: reconhecer a cidade, exercitar a imaginação e olhar Curitiba a partir de um ângulo pouco comum — mesmo que seja em meio ao caos ficcional.

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