Diário de Curitiba

Mapeamento revela o cenário da indústria de games no Paraná

Levantamento auxilia a compreender o cenário paranaense. Na foto, jogos sendo apresentados durante o ConectaPR. Foto: Divulgação

O Sebrae/PR, em parceria com a Associação de Criadores de Jogos do Paraná (ACJPR), realizou pela primeira vez um mapeamento do ecossistema da indústria de games no estado. Concluído em 2025, o estudo identificou 49 estúdios de desenvolvimento de jogos, além de uma cadeia produtiva formada por 1.372 empresas com CNAE principal ligado a games e 4.350 com CNAE secundário, envolvendo tecnologia, audiovisual, design e serviços digitais. Os dados colocam o Paraná entre os quatro maiores polos do setor no Brasil, tanto em número de estúdios quanto em geração de renda.

De acordo com o coordenador de TIC e Startups do Sebrae/PR, Rafael Tortato, o levantamento atende o fato de compreender, com base em evidências, a dimensão desse mercado no estado. “É um setor no qual ainda não havia uma atuação direta. O mapeamento permite entender se existe densidade e relevância suficientes para planejarmos junto com esse ecossistema, iniciativas direcionadas”, explica.

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O estudo mostra que a indústria de games opera como uma engrenagem da economia criativa, conectando diferentes perfis profissionais em uma mesma cadeia produtiva. Além dos desenvolvedores, os estúdios demandam designers, profissionais de narração, marketing e empresas especializadas em divulgação. “É uma atividade que articula criatividade, tecnologia e conhecimento, com impactos que se espalham por outros segmentos”, afirma Tortato.

A metodologia combinou dados secundários, como os Códigos Nacionais de Atividade Econômica (CNAEs) registrados nos CNPJs, com uma etapa qualitativa para validar quais empresas atuam efetivamente no desenvolvimento de jogos. “Nem todas as empresas com CNAE relacionado ao setor atuam diretamente com games. Por isso, foi necessário um processo de validação manual para identificar os estúdios”, detalha o coordenador.

Outro destaque aponta para a maturidade do ecossistema paranaense. Segundo o levantamento, mais de 35% das empresas de games têm mais de 10 anos de atividade, um dado considerado pouco comum na economia criativa. Para Felipe de Nadai, um dos fundadores da Associação de Criadores de Jogos do Paraná (ACJPR), o indicador demonstra consolidação. “São empresas formalizadas, com trajetória e potencial de crescimento, que já movimentam recursos e precisam ser vistas como negócios estratégicos”, afirma.

Para De Nadai, o mapeamento funciona como um marco inicial para o fortalecimento do setor. “Só conseguimos avançar quando sabemos onde estamos. Esse estudo cria uma base para aproximar os estúdios, a associação e as instituições de apoio, contribuindo para a organização, a formalização e o desenvolvimento sustentável da indústria de games no Paraná”, conclui.

No Paraná

Embora cerca de metade dos estúdios esteja concentrada em Curitiba, o mapeamento aponta uma distribuição regional com presença em Londrina, Maringá e Cascavel. Para Tortato, essa capilaridade amplia as oportunidades de desenvolvimento local. “A existência de universidades e ecossistemas de inovação em diferentes regiões contribui para que o setor se desenvolva de forma mais distribuída no estado”, observa.

O levantamento também identificou desafios estruturais enfrentados pelos estúdios, especialmente relacionados à formalização das atividades e à gestão dos negócios. “Muitas empresas têm excelência criativa, mas encontram dificuldades em áreas como finanças, precificação, comercialização e planejamento. São decisões estratégicas que impactam diretamente a sustentabilidade dos empreendimentos”, completa Tortato.

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