Em um país onde enchentes, deslizamentos e ondas de calor extremo têm se tornado mais frequentes, a prevenção é uma agenda permanente de proteção à vida. É com esse foco que a 9ª Campanha Nacional #AprenderParaPrevenir: Cidades sem Risco entra em campo para mobilizar escolas, educadores, comunidades e iniciativas populares em ações de educação para a redução de riscos de desastres em territórios vulneráveis.
A campanha é realizada pela Secretaria Nacional de Periferias (SNP) e pelo Programa Cemaden Educação, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Cemaden, do Ministério das Cidades (MCID), do Ministério da Educação (MEC), SECADI e uma articulação interministerial do Governo Federal. A iniciativa integra políticas públicas de educação, ciência e desenvolvimento urbano e reforça a prevenção como eixo estruturante de justiça climática — especialmente nas periferias, onde os impactos da crise climática se manifestam de forma mais intensa e desigual.
• Clique aqui agora e receba todas as principais notícias do Diário de Curitiba no seu WhatsApp!
Ao reconhecer que os desastres não são naturais, pois seus impactos ocorrem quando não se enfrentam vulnerabilidades sociais, territoriais e institucionais, a campanha contribui para qualificar o debate público e fortalecer uma cultura de prevenção baseada em educação, informação e organização coletiva. O enfoque dialoga diretamente com a agenda de justiça climática, ao evidenciar que os eventos extremos afetam de forma desproporcional populações historicamente vulnerabilizadas.
Samia Sulaiman, coordenadora de Articulação e Parcerias da Secretaria Nacional de Periferias, destaca que a prevenção precisa ser permanente: "Investir em educação para a redução de riscos é investir em vidas e fomentar cidades mais justas. A prevenção precisa estar no centro das políticas públicas, especialmente nos territórios onde os efeitos da crise climática são mais severos"
Nesta edição, a Campanha, de abrangência nacional, e que irá impactar diretamente cerca de 30 mil estudantes, tem atuado de forma prioritária em 23 municípios de diversas regiões do país, definidos a partir de critérios técnicos de risco socioambiental. As ações incluem a formação de mobilizadores escolares e territoriais, educadores e facilitadores municipais, além do desenvolvimento de atividades pedagógicas, projetos de ciência cidadã e iniciativas de sensibilização comunitária.
Campanha de campanhas
Com o tema "Cidades sem Risco", a edição 2025–2026 adota o conceito de "campanha de campanhas". A iniciativa estimula que escolas, coletivos, universidades, organizações sociais, Núcleos Comunitários de Defesa Civil e iniciativas populares criem uma campanha em sua comunidade, adaptada aos riscos e às especificidades de cada território.
Entre os principais eixos estão a formação continuada, com oferta gratuita de cursos e trilhas formativas que somam 120 horas, a disponibilização de materiais educativos para uso em sala de aula e em espaços comunitários, além da realização de jornadas pedagógicas, webinários/encontros online e ações presenciais nos territórios. Os conteúdos abordam educação ambiental climática, redução de riscos de desastres, leitura do território, justiça climática e ciência cidadã, conectando conhecimento científico à realidade local.
A campanha nacional funciona como um guarda-chuva metodológico e institucional, oferecendo formação, materiais educativos, orientações e visibilidade para que as ações locais sejam fortalecidas, ganhem escala, articulação em rede e reconhecimento público.
Para Rachel Trajber, do Cemaden Educação, o conceito amplia o alcance da prevenção: "Chamamos de Campanha de Campanhas porque, quando escolas, organizações e comunidades ativam sua potência de agir, reconhecem seus riscos, mobilizam sua gente, elas criam caminhos de proteção. Cada campanha nasce onde o problema acontece — e onde as soluções podem tornar o território mais seguro, sustentável e resiliente. A ação é coletiva, não dá para enfrentar a crise climática sozinho"
A partir de abril, estarão abertas as inscrições das campanhas nas comunidades, o que permitirá mapear e reconhecer as experiências desenvolvidas por escolas e comunidades em todo o país, fortalecendo a troca de aprendizados e a replicação de ações preventivas.
Mais do que uma ação pontual, a Campanha #AprenderParaPrevenir: Cidades sem Risco propõe uma mudança de cultura: agir antes para salvar vidas, com foco na prevenção, por meio da educação, da comunicação e da organização coletiva. Ao transformar conhecimento em ação, a iniciativa reafirma que enfrentar a mudança do clima e prevenir desastres é proteger vidas e garantir o direito à cidade.
