O período do Carnaval no Brasil movimenta diversos setores da economia, mas também provoca um aumento expressivo na geração de resíduos sólidos urbanos. Levantamento divulgado pela CBN em 2024 indicou que em apenas 5 capitais brasileiras, foram geradas quase 5 mil toneladas de lixo durante a pré-folia e os dias oficiais da festa. Esse volume pressiona a infraestrutura de limpeza urbana e reforça a importância do planejamento municipal, de parcerias com catadores e de estratégias de gestão de embalagens pós-consumo para mitigar os impactos ambientais associados a grandes eventos.
Paralelamente, a aplicação de sistemas de logística reversa surge como um dos principais instrumentos para mitigar os impactos ambientais associados ao descarte de embalagens, como microplásticos, latas e garrafas PET. De acordo com o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), a meta é que o Brasil recicle mais de 48% dos resíduos sólidos urbanos até 2040. Durante períodos de alta geração, como o Carnaval, a rastreabilidade desses materiais torna-se fundamental para assegurar que o volume de embalagens colocado no mercado seja efetivamente compensado e destinado à reciclagem adequada.
• Clique aqui agora e receba todas as principais notícias do Diário de Curitiba no seu WhatsApp!
Diante desse cenário, a eureciclo, empresa de impacto socioambiental que atua na cadeia de reciclagem, sistematizou diretrizes de boas práticas para fomentar a gestão de resíduos durante as festas. O levantamento aponta que a colaboração entre a população e o poder público é essencial para os materiais recicláveis retornarem ao ciclo produtivo por meio da logística reversa, evitando que itens como microplásticos e descartáveis sobrecarreguem o sistema de drenagem urbana.
De acordo com Tânia Babler Sassioto, Head de Marketing na eureciclo, a eficiência da reciclagem em grandes eventos depende diretamente do acesso a pontos de descarte e apoio aos operadores na ponta da cadeia. "A remuneração direta de cooperativas por serviços ambientais assegura a viabilidade econômica da coleta de materiais que, muitas vezes, possuem baixo valor de mercado, mas alto impacto ambiental", afirma. Segundo a executiva, o modelo de certificação permite que marcas invistam no desenvolvimento desses profissionais, garantindo a destinação correta do excedente gerado nos blocos.
O levantamento da empresa também ressalta aspectos técnicos que facilitam a triagem mecânica e manual. A executiva recomenda, por exemplo, manter as tampas rosqueadas nas garrafas plásticas para impedir que itens pequenos se percam durante o transporte e separação. Além disso, aponta a substituição do glitter convencional por opções biodegradáveis para reduzir a carga de poluentes nos ecossistemas aquáticos.
"Em grandes aglomerações, pequenas mudanças no descarte e na escolha de insumos facilitam o trabalho das cooperativas e garantem que o material retorne ao ciclo produtivo", completa a Head de Marketing da eureciclo.
A convergência entre a infraestrutura pública de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) e a conscientização sobre o descarte correto é o que define o sucesso da economia circular no período. Ao fortalecer o elo entre a indústria e os profissionais da reciclagem, busca-se elevar os índices de reaproveitamento, garantindo que o crescimento do consumo durante eventos de massa não resulte em passivos ambientais para os municípios brasileiros.
