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Ádyla Maciel analisa conexões linguísticas entre Brasil e Japão

A escritora Ádyla Maciel lança o livro E se eu tivesse nascido no Japão?, obra que propõe uma investigação poética e intercultural a partir de palavras que apresentam o mesmo som no português e no japonês, mas significados distintos. O livro parte da curiosidade linguística para refletir sobre como a linguagem estrutura modos de pensar, sentir e se relacionar com o mundo.

Voltada ao público adulto, a obra utiliza jogos sonoros e deslocamentos semânticos como eixo central da narrativa, evidenciando que a familiaridade aparente entre idiomas pode ocultar diferenças profundas de sentido. A proposta não é traduzir palavras, mas observar como diferentes línguas produzem diferentes experiências de realidade.

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O livro se estrutura a partir de exemplos linguísticos que atravessam os dois idiomas. Termos como "rei", que, no português, remete à soberania, no japonês, está associado a gestos de reverência e respeito. Já "som", que em português designa ruído, no japonês se relaciona à estrutura sonora da língua. Palavras como "lua", "sol", "mar" e "rio" também ganham novos sentidos, deslocando imagens simbólicas consolidadas no imaginário ocidental.

Outros exemplos abordados na obra incluem "manga", que deixa de ser fruta ou parte da vestimenta para se tornar narrativa ilustrada; "kirá", que pode soar como nome próprio e passa a significar brilho; e "casa", que se afasta da ideia de permanência e afeto para assumir o sentido de abrigo provisório. Esses deslocamentos semânticos funcionam como metáfora dos processos de comunicação intercultural.

Segundo Ádyla Maciel, a pergunta que dá título ao livro não é geográfica, mas epistemológica. "A obra parte da ideia de que o som pode aproximar, mas o significado nunca é idêntico. Outras línguas produzem outras formas de experiência", afirma a autora.

Com escrita de caráter conceitual e abordagem poética, E se eu tivesse nascido no Japão? se insere no campo da literatura contemporânea que investiga linguagem, cultura e interculturalidade, propondo ao leitor uma reflexão sobre alteridade e convivência de sentidos.

Sobre Ádyla Maciel

Nascida em 1994, Ádyla Maciel atua nas áreas de literatura, televisão e projetos culturais no Distrito Federal. Desde a infância, demonstrou inclinação para leitura e escrita, publicando poemas aos 10 anos no Correio Braziliense e na revista Veja, o que marcou o início de sua trajetória literária.

Graduada em Letras e com especialização em neuropsicanálise, atuou como docente na área de literatura e publicou 12 livros voltados à poesia e à reflexão social. Entre 2014 e 2022, apresentou o programa Papo de Artista, no qual entrevistou artistas, escritores e pesquisadores, registrando processos criativos e trajetórias profissionais.

Além da atuação artística, trabalhou como analista de mérito cultural, elaborando pareceres técnicos para políticas públicas de fomento à cultura, e idealizou a Mostra Itinerante de Poesia Falada, projeto que integrou poesia, música, literatura e teatro em regiões fora dos grandes circuitos culturais.

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