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Empresa explica as características dos cabos fotovoltaicos

Os cabos destinados a instalações fotovoltaicas desempenham função essencial na condução da corrente elétrica gerada pelos módulos fotovoltaicos até inversores e demais componentes do sistema. Esses condutores devem atender a requisitos específicos relacionados à tensão em corrente contínua, capacidade de condução de corrente, nível de isolamento e resistência térmica, conforme normas técnicas aplicáveis ao setor.

Além dos parâmetros elétricos, os cabos utilizados em sistemas fotovoltaicos devem apresentar características que assegurem estabilidade física, química e mecânica sob exposição prolongada ao sol, variações climáticas e esforços de instalação.

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"Os cabos para o lado CC (corrente contínua) de sistemas fotovoltaicos devem atender à NBR 16612 da ABNT, norma brasileira para cabos fotovoltaicos, que prescreve condutor de cobre estanhado, classe 5 (muito flexível), com isolação e cobertura em material termofixo (maior estabilidade térmica) e não halogenado (reduzida emissão de gases corrosivos em caso de incêndio)", afirma o professor e engenheiro eletricista Hilton Moreno, que também é consultor técnico da COBRECOM.

Segundo ele, esses condutores elétricos ainda devem ter resistência aos raios ultravioleta (UV), água e intempéries, além de possuírem uma temperatura de operação contínua até 90 °C e condição estendida de sobrecarga até 120 °C por 20 mil horas, que é um requisito extremamente rigoroso.

"Também devem apresentar marcação a cada 50 cm, identificando o cabo para uso em sistemas fotovoltaicos", completa Hilton Moreno.

O profissional ainda alerta que os cabos convencionais nunca devem ser usados no lado CC (corrente contínua) de sistemas fotovoltaicos, porque eles não atendem aos requisitos da norma NBR 16612, que é específica para cabos fotovoltaicos.

Por que os cabos para instalações fotovoltaicas devem ser de cobre estanhado?

Porque a aplicação da camada de estanho sobre o cobre aumenta a sua resistência à corrosão/oxidação em ambientes agressivos com umidade excessiva ou maresia, por exemplo.

"Esse fator também ajuda a manter baixa resistência de contato das conexões ao longo do tempo, na medida em que melhora a estabilidade das conexões, reduzindo risco de aquecimento por mau contato", ressalta Hilton Moreno.

Flexibilidade do cabo

É fundamental para a instalação fotovoltaica, pois ela fica mais fácil, com raios de curvatura menores e menor esforço mecânico no cabo e nos conectores.

"Além disso, há menor risco de dano do cabo durante a instalação, pois amassamentos e pequenas trincas são muito reduzidos porque as dobras nos cabos são mais suaves. Por fim, cabos flexíveis permitem melhor acomodação nos condutos e se adaptam mais facilmente às variações térmicas que acontecem ao longo da vida da instalação fotovoltaica", explica Hilton Moreno.

Normas técnicas

De acordo com Hilton Moreno, as normas que estão mais diretamente relacionadas aos cabos para instalações fotovoltaicas são: ABNT NBR 16612: requisitos de desempenho para cabos de potência para sistemas fotovoltaicos (lado em corrente contínua); ABNT NBR 16690: requisitos de projeto para instalações elétricas de arranjos fotovoltaicos, incluindo disposições sobre condutores e proteções; e ABNT NBR 5410: regras gerais de instalações elétricas de baixa tensão, usada em conjunto com as duas normas anteriores, quando elas não tratam diretamente de um determinado aspecto da instalação.

Riscos de usar cabos fora das especificações técnicas

Segundo Hilton Moreno, sob o ponto de vista técnico, cabos que não atendem às normas podem ter vida útil severamente reduzida.

"Esses produtos podem apresentar falhas no condutor, isolação e cobertura que resultem em aumentos de temperatura muito acima dos previstos, causando sérios riscos de incêndio e elevadas perdas de energia. Tais falhas também podem resultar em fugas de corrente que colocam as pessoas em risco de choques elétricos, muitas vezes fatais", revela.

Além disso, cabos não conformes colocam a instalação fotovoltaica e seus responsáveis sob exposição a problemas de perda de garantia, não cobertura de seguros e responsabilidade técnica.

Hilton Moreno também aconselha os consumidores a estarem atentos aos cabos muito baratos, pois geralmente apresentam sérios problemas com qualidade e quantidade de cobre no condutor, ou uso de materiais não permitidos pela NBR 16612, como alumínio, alumínio cobreado e outros materiais que não sejam o cobre com 99,99% de pureza.

"Economizar na hora da compra não compensa a médio prazo, pois problemas operacionais e de segurança vão exigir manutenções mais frequentes, paradas de operação, eventuais perdas de garantia, problemas com seguradoras, responsabilização técnica dos profissionais envolvidos, aumento das queixas dos consumidores, entre outros", alerta Hilton Moreno.

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