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Iniciativas de empresas impulsionam gestão hídrica no Brasil

Na semana em que se celebra o Dia Mundial da Água, a gestão eficiente dos recursos hídricos ganha destaque entre empresas de diversos segmentos. Com as mudanças climáticas alterando regimes de chuvas, a segurança hídrica deixou de ser um conceito técnico e passou a ocupar posição estratégica em decisões das companhias.

Levantamentos e iniciativas recentes mostram que práticas como reúso de água, inovação tecnológica e conservação ambiental vêm sendo incorporadas por diferentes setores produtivos, contribuindo para a redução de impactos e maior resiliência operacional.

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No setor de energia e biocombustíveis, a Acelen Renováveis desenvolve o cultivo da macaúba como alternativa para produção de biocombustíveis, focando no uso eficiente de recursos hídricos. No Acelen Agripark, em Montes Claros (MG), realizam-se pesquisas agronômicas para otimização da água na produção de mudas que darão origem à matéria-prima para o diesel renovável (HVO) e o combustível sustentável de aviação (SAF).

Com 138 hectares, o espaço funciona como centro de pesquisa da cadeia produtiva da macaúba, com análise de clima, solo e fisiologia da planta, tendo como um dos objetivos reduzir a demanda hídrica. De acordo com o diretor de agronegócio da Acelen Renováveis, Victor Barra, a cultura apresenta potencial para sistemas produtivos mais resilientes e com uso mais racional da água, desde que associada a práticas adequadas de manejo e tecnologia.

"Cultivos de alta energia só fazem sentido ambiental se forem capazes de produzir mais biomassa e mais energia por unidade de água utilizada, um dos grandes desafios da agricultura voltada à produção de biocombustíveis", afirma Barra. A indústria de bebidas também tem atuado para reduzir o consumo. Na Solar Coca-Cola, em dez anos foram 22% a menos em suas operações. Atualmente, oito de suas fábricas no Norte e Nordeste possuem a certificação AWS, atestando excelência na gestão sustentável da água. Além disso, o programa Água + Acesso, que concede acesso à água potável a comunidades em situação de vulnerabilidade, já beneficiou 200 mil pessoas em 5 estados. No Ceará, foram anunciados R$ 5 milhões para segurança hídrica, e na Bahia, R$ 2 milhões até 2027. A empresa também investe na conservação de biomas, como faz na Fazenda Raposa (CE), preservando milhares de hectares para garantir a recarga de mananciais.

"A água é um recurso fundamental para o nosso negócio, mas acima disso, é um recurso vital para as comunidades do nosso entorno. Na Solar, nosso compromisso é com a segurança hídrica de todo o ecossistema dos estados onde estamos presentes", destaca Alana Barros, coordenadora de Sustentabilidade da Solar Coca-Cola.

Outra engarrafadora, a Coca-Cola FEMSA Brasil foca em eficiência operacional e reposição de recursos nas regiões onde atua. A companhia já contribui para a reposição de bilhões de litros de água por ano e alcança índice de 1,48 litro de água por litro de bebida produzido. Entre as iniciativas, o projeto Olhos da Serra preserva 10.235 hectares na Serra do Japi e repõe cerca de 5 bilhões de litros anuais. Já o projeto de neutralidade hídrica, em Mogi das Cruzes e Bauru, pode compensar cerca de 452 milhões.

No setor logístico, operações portuárias têm ampliado o uso de sistemas de reúso e tratamento de água. O Porto Sudeste, terminal privado em Itaguaí (RJ), mantém estações de tratamento de águas pluviais e efluentes, alcançando índices elevados de reaproveitamento hídrico. A água tratada é utilizada em atividades operacionais, como controle ambiental e manutenção de vias. Segundo Ulisses Oliveira, diretor de assuntos corporativos e sustentabilidade do Porto Sudeste, "a gestão eficiente desse recurso é prioridade, com esforços contínuos para reduzir a dependência de fontes externas".

No campo educacional, instituições têm incorporado o tema da água em atividades interdisciplinares, estimulando o consumo consciente de forma lúdica e divertida. É o caso do Elite Rede de Ensino, em que os alunos realizam experiências, participam de rodas de conversa, produções artísticas e investigações sobre o papel desse recurso na vida cotidiana. As ações também integram projetos pedagógicos, que analisam dados de consumo, discutem sustentabilidade e propõem soluções para evitar desperdícios.

A abordagem busca transformar o aprendizado em hábito, incentivando atitudes simples, como fechar torneiras enquanto escova os dentes, que se estendem para dentro das famílias, indo além da comunidade escolar.

Na indústria de base, a Lhoist atua em diferentes setores para otimizar o uso da água e o tratamento de efluentes. Em áreas como siderurgia, papel e celulose e mineração, são aplicadas tecnologias para controle de pH, redução de carga orgânica e melhoria da qualidade da água antes do descarte ou reutilização. Entre as soluções está um reagente utilizado no tratamento de águas residuais e lodos industriais.

"Esses recursos contribuem para aumentar a eficiência dos sistemas, favorecer a remoção de contaminantes e ampliar a recirculação da água, reduzindo a necessidade de novas captações", informa a vice-presidente industrial da empresa, Willian Campos.

As iniciativas refletem um movimento mais amplo de adaptação do setor produtivo aos desafios da disponibilidade hídrica, com integração entre eficiência operacional, inovação e responsabilidade ambiental.

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