Diário de Curitiba

Faixa Vermelha completa 50 anos e celebra pioneirismo do radiotáxi em Curitiba

Foto: Arquivo/Divulgação

A Associação Radiotáxi Faixa Vermelha completa 50 anos de atuação em Curitiba neste mês de maio, consolidando-se como a primeira central de radiotáxi do Brasil e a maior do Paraná. Fundada em 1976 por um grupo de motoristas da capital paranaense, a entidade reúne atualmente cerca de 500 profissionais e atravessou décadas de transformação no transporte individual de passageiros.

Ao longo de meio século, a associação acompanhou mudanças tecnológicas, urbanas e culturais, preservando um modelo de serviço baseado na organização coletiva e na relação de confiança com o cliente.

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Dos “choferes de praça” ao rádio PX

Foto: Arquivo/Divulgação

Nos primeiros anos, o funcionamento da central era sustentado pela colaboração entre os próprios motoristas. Sem estrutura formal, os profissionais se revezavam entre o atendimento telefônico, a operação do rádio e o trabalho nas ruas.

Motorista há mais de 40 anos, Udo Benke, filho de um dos pioneiros da associação, relembra o cenário da época. Segundo ele, a comunicação era feita por rádio PX, com alcance limitado e interferências constantes, exigindo o uso de códigos específicos para garantir agilidade no atendimento.

A frota também refletia outro momento da cidade: veículos como Fusca e Corcel predominavam, em uma Curitiba menos urbanizada e com condições mais simples de trabalho. “Os motoristas levavam cobertor para enfrentar o frio durante a madrugada”, recorda.

Antecipando a tecnologia dos aplicativos

Décadas antes da popularização dos aplicativos de transporte, a Faixa Vermelha implementou o primeiro sistema de despacho automático do país, tecnologia que identifica o táxi mais próximo do passageiro e direciona a corrida sem necessidade de intermediação manual.

Com o avanço digital, a central incorporou novas ferramentas, mantendo o tradicional atendimento telefônico e expandindo para plataformas digitais. Atualmente, o serviço também opera por aplicativo próprio e mensagens instantâneas.

A frota passou por diversificação e modernização. Além dos tradicionais táxis laranjas, a associação conta com veículos executivos, carros de luxo e modelos elétricos.

Confiança como diferencial

Para o presidente da associação, Willian Castanha, a longevidade do serviço está diretamente ligada à credibilidade construída ao longo dos anos. Segundo ele, a relação com os clientes vai além da prestação de serviço.

“O passageiro busca o motorista de confiança. Existe uma responsabilidade envolvida, seja no transporte de familiares ou no cumprimento de compromissos importantes”, afirma.

A estrutura da central, com motoristas credenciados, veículos monitorados e canais diretos de atendimento, também é apontada como um fator de segurança para os usuários.

Histórias que atravessam gerações

A trajetória da Faixa Vermelha também é marcada por histórias pessoais que se conectam à evolução da cidade. A cerimonialista Jenifer Sarti, neta de taxista, cresceu nesse ambiente e hoje participa da organização do evento comemorativo.

“É uma história que passa de geração em geração. Existe um vínculo afetivo com a profissão e com tudo o que ela representa”, relata.

Entre os clientes, a relação de fidelidade também se mantém ao longo do tempo. O empresário Marcelo Almeida afirma utilizar exclusivamente o serviço da central há décadas, destacando o vínculo criado com os motoristas.

Evento marca comemoração dos 50 anos

A celebração de meio século da associação será realizada no dia 14 de maio, reunindo parceiros, autoridades e convidados. O evento acontece na unidade São Lourenço da Prestinaria Casa de Pães, em um espaço que carrega simbolismo histórico: o local já abrigou uma fábrica de taxímetros, equipamento tradicional do setor.

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