Diário de Curitiba

Morro da Pena Ventosa retrata memória, pertencimento e transformações urbanas no Porto

MORRO DA PENA VENTOSA

Após o sucesso de Baiôa sem data para morrer, o escritor português Rui Couceiro lança Morro da Pena Ventosa, novo romance publicado pela Biblioteca Azul. A obra é ambientada no bairro mais antigo da cidade do Porto e aborda temas como pertencimento, luto, memória coletiva e os impactos da gentrificação sobre comunidades históricas.

Morro da Pena Ventosa

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A protagonista Beta enfrenta perdas ainda na infância após a morte do pai e o abandono da mãe. Criada pela avó, ela desenvolve uma forte ligação com o Morro da Pena Ventosa, região localizada na zona da Sé, no Porto. Ao longo dos anos, passa a registrar acontecimentos, personagens e histórias do bairro para compartilhá-los com a avó.

Após a morte da matriarca, a escrita se transforma em uma forma de preservar memórias e elaborar o luto. Entre relatos históricos, referências culturais e episódios do cotidiano, Beta constrói um retrato afetivo da comunidade onde cresceu.

Ao ambientar a narrativa em um bairro marcado por mudanças urbanas e pelo aumento do turismo, Rui Couceiro também reflete sobre a perda gradual da identidade de regiões históricas.

“Escrevi esta história porque sou um apaixonado pela cidade do Porto, que acredito que é um dos lugares do mundo com uma cultura e uma identidade mais extraordinárias”, afirma o autor.

Segundo Rui Couceiro, o romance aborda temas contemporâneos por meio da ficção. “A ficção não serve para dar respostas, mas é boa a iluminar assuntos pertinentes, que podem conduzir os leitores a reflexões importantes. E neste livro há vários temas, desde o turismo de massas e a gentrificação, passando pelas alterações climáticas e terminando na perda. Este romance é também uma história sobre a imaginação, sobre o poder e a importância da imaginação”, diz.

Com elementos de realismo mágico, humor e crítica social, Morro da Pena Ventosa acompanha as transformações de uma comunidade enquanto destaca a importância da memória e dos vínculos coletivos.

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