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O ponto cego que trava o crescimento das marcenarias

Durante décadas, o sucesso de uma marcenaria esteve diretamente ligado à habilidade técnica de seu proprietário. Mas essa lógica começa a mudar. Em um mercado pressionado por produtividade, escassez de mão de obra especializada e necessidade de ganho de escala, a gestão passou a ocupar um papel tão importante quanto a qualidade do produto.

É justamente essa transformação que o executivo catarinense Giba Klein vai apresentar na ForMóbile 2026, maior feira da indústria moveleira da América Latina, onde será palestrante do palco principal.

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Com 25 anos de atuação no setor, Klein defende que o futuro das marcenarias passa pela migração de operações artesanais para estruturas mais organizadas, previsíveis e orientadas por gestão. Um modelo que ele define como "mini-indústria". "A maioria dos empresários domina a técnica, mas nem sempre domina o negócio. Muitas empresas crescem em faturamento, mas continuam dependentes do dono para praticamente todas as decisões e, assim, deixam de ser mais competitivas. Esse é um dos principais gargalos do setor", afirma.

A discussão ganha relevância em um momento importante para a indústria moveleira no Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), o setor reúne mais de 22 mil empresas e movimenta cerca de R$ 90 bilhões por ano, consolidando-se como uma das principais cadeias industriais do país.

Na avaliação de Klein, boa parte dos desafios enfrentados pelas marcenarias está menos relacionada à capacidade produtiva e mais à falta de processos, indicadores, planejamento, estrutura de gestão e prospecção ativa, atividades que potencializam toda a engrenagem de vendas.

Foi dessa percepção que nasceu o conceito do Ponto Cego da Marcenaria. Segundo Klein, toda empresa do setor moveleiro, desde a pequena marcenaria até as centrais de serviços e os grandes varejos especializados, possui limitações que afetam seu crescimento, mas que nem sempre são visíveis para quem está à frente do negócio. "O problema raramente está onde o empresário enxerga. Muitas vezes ele investe em máquinas, tecnologia, sistemas ou na geração de demanda sem perceber que o verdadeiro gargalo está na gestão, na liderança, na precificação ou nas decisões que orientam a empresa", avalia.

O conceito de mini-indústria também envolve a adoção de tecnologias e automação, mas parte de um princípio mais amplo: utilizar essas ferramentas dentro de uma estratégia de gestão capaz de gerar previsibilidade, ganho de eficiência e aumento de margem. "Tecnologia sem gestão apenas acelera problemas. Quando combinamos tecnologia, processos e indicadores, a empresa ganha produtividade e cria condições reais para crescer", acentua.

A trajetória do executivo ajudou a consolidar essa visão. Como diretor de Operações e Expansão da GMAD Madville, em Joinville (SC), construiu do zero um canal de distribuição que alcançou faturamento anual de R$ 220 milhões; e a Madville Soluções, operação de terceirização industrial voltada para marcenarias, que ultrapassou R$ 25 milhões em faturamento nos primeiros 18 meses de atividade, validando na prática modelos de gestão e escala hoje defendidos em suas mentorias.

O tema será apresentado na palestra "Da Projeção ao Lucro: a migração da marcenaria tradicional para a mini-indústria", marcada para o dia 1º de julho, às 15h, no palco principal da ForMóbile. O objetivo é provocar uma reflexão sobre um dos principais desafios do setor: transformar conhecimento técnico em empresas mais lucrativas, estruturadas e preparadas para crescer.

"Máquinas aumentam a capacidade produtiva. Gestão aumenta o valor da empresa. O próximo passo da marcenaria brasileira não é apenas produzir mais, mas construir negócios que funcionem de forma sustentável e menos dependentes do seu fundador", conclui.

Sobre Giba Klein
Com 25 anos de trajetória no setor moveleiro, Giba Klein atuou da gestão de pequenas marcenarias à direção de operações de grande porte. Foi diretor de Operações e Expansão da GMAD Madville, em Joinville (SC). Atualmente é mentor empresarial, idealizador do Ponto Cego da Marcenaria, metodologia voltada à profissionalização da gestão no setor moveleiro.

Sobre a ForMóbile 2026
A 11ª edição da ForMóbile acontece de 30 de junho a 3 de julho de 2026, em São Paulo (SP). Considerada a principal feira da cadeia produtiva de madeira e móveis da América Latina, reúne fabricantes, fornecedores, marcenarias, arquitetos e profissionais de toda a indústria moveleira.

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