Diário de Curitiba

Fim da escala 6×1: entenda a PEC que mobiliza brasileiros e divide o Congresso

Foto: Reprodução

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC), apresentada pela deputada Erika Hilton (PSol-SP) e apoiada pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), colocou em pauta a jornada de trabalho 6×1 e causou alvoroço nas redes sociais. O projeto sugere uma reformulação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para abolir a obrigatoriedade de seis dias de trabalho consecutivos com apenas um dia de descanso. Atualmente, a PEC conta com 100 das 171 assinaturas necessárias para avançar na Câmara dos Deputados, refletindo a intensa batalha por apoio que se desenrola dentro e fora do Congresso.

Idealizada por Rick Azevedo, vereador pelo PSol no Rio de Janeiro, a proposta foi oficialmente protocolada em 1º de maio, Dia do Trabalhador, data simbólica que intensificou as discussões sobre a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros. Azevedo, em conjunto com Hilton, defende que a escala 6×1 configura uma “escravidão moderna” e enfatiza a necessidade de uma revisão das regras trabalhistas para promover um equilíbrio mais saudável entre trabalho e vida pessoal. Em vídeos publicados nas redes sociais, ele mobiliza apoiadores a pressionar os parlamentares pela aprovação da PEC.

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Resistência no Congresso e apoio popular

A recepção à PEC, no entanto, encontra desafios no Congresso. Na última quinta-feira (7), partidos de direita, que constituem a maior bancada da Câmara, com 92 parlamentares, mostraram resistência ao projeto. Apenas Fernando Rodolfo (PL-PE), entre os representantes do Partido Liberal (PL), declarou apoio. No União Brasil, quatro parlamentares deram aval à proposta: Douglas Viegas (SP), Meire Serafim (AC), Saullo Viana (AM) e Yandra Moura (SE). Partidos como PP, PSDB, Republicanos e Solidariedade, por enquanto, contam com apenas um representante cada no abaixo-assinado.

O Partido dos Trabalhadores (PT) se destaca como o maior aliado da PEC, com 37 dos 68 deputados apoiando a mudança, seguido pela bancada do PSol, com 13 assinaturas. Até o momento, o abaixo-assinado on-line em apoio à PEC já alcançou 1,3 milhão de assinaturas, reforçando o apelo popular para a reavaliação das condições de trabalho no Brasil.

O que está em jogo

As discussões sobre a escala 6×1 no Brasil transcendem questões trabalhistas: elas remetem a um debate mais amplo sobre a valorização do tempo livre e a qualidade de vida dos trabalhadores. O Movimento Vida Além do Trabalho, que impulsiona a PEC, visa conscientizar a sociedade sobre a importância de um equilíbrio saudável entre a vida pessoal e profissional, questionando se o modelo atual atende às necessidades de uma sociedade moderna.

O impacto da PEC ainda depende das 71 assinaturas restantes para seguir ao plenário, onde enfrentará um cenário de polarização política e interesses diversos. A proposta reflete uma tendência global de repensar o papel do trabalho na vida das pessoas, colocando o Brasil no centro de um debate relevante sobre condições laborais e direitos fundamentais.

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