Diário de Curitiba

Aprovação de Lula sobe, desaprovação recua e disputa com Flávio Bolsonaro segue em empate técnico, aponta Quaest

Foto: Ricardo Stuckert/PR

A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) indica uma melhora nos índices de aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o levantamento, a aprovação da gestão subiu de 43% para 46%, enquanto a desaprovação recuou de 52% para 49%. A diferença entre os dois indicadores, agora de três pontos percentuais, é a menor desde fevereiro.

O levantamento também aponta estabilidade no cenário eleitoral para 2026, mantendo o ambiente de forte polarização política no país. Em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula aparece numericamente à frente: 42% contra 41%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, o quadro configura empate técnico.

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A pesquisa mostra ainda vantagem de Lula em simulações contra outros nomes da centro-direita e da direita. O presidente venceria Romeu Zema por 44% a 37% e Ronaldo Caiado por 44% a 35%.

De acordo com o cientista político Felipe Nunes, fundador da Quaest, o cenário permanece aberto:

“É o terceiro mês consecutivo em que vemos um empate técnico entre Lula e Flávio. As movimentações acontecem todas na margem de erro, sugerindo um cenário bastante competitivo até aqui.”

Recuperação concentrada em grupos estratégicos

A melhora da avaliação do governo ocorreu principalmente em segmentos considerados estratégicos do eleitorado.

Entre pessoas de 35 a 59 anos, a aprovação subiu de 41% para 47%, enquanto a desaprovação caiu de 54% para 48%. Entre as mulheres, a aprovação foi de 45% para 48%, superando numericamente a desaprovação, que ficou em 44%.

Também houve melhora entre os chamados eleitores independentes — grupo tradicionalmente decisivo em disputas nacionais. Nesse segmento, a aprovação passou de 32% para 37%, enquanto a desaprovação caiu de 58% para 52%.

A pesquisa detectou ainda mudança na percepção do noticiário envolvendo o governo federal. O percentual de entrevistados que afirmam ter visto mais notícias positivas sobre o governo cresceu de 23% para 32%. Já os que dizem ter ouvido mais notícias negativas caíram de 48% para 43%.

Outro dado relevante é o aumento da consolidação eleitoral. Subiu de 57% para 63% o número de entrevistados que afirmam já ter uma escolha definitiva para a eleição presidencial. Outros 37% dizem que ainda podem mudar de voto.

Encontro com Trump teve avaliação majoritariamente positiva

A pesquisa também mediu a repercussão política do encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizado na Casa Branca.

Segundo o levantamento, 60% consideram que a reunião foi positiva para o Brasil. Já 56% avaliaram que Lula adotou postura amigável diante do presidente norte-americano.

A pesquisa também aponta que 56% dos entrevistados defendem que o presidente brasileiro mantenha uma relação de aliança com os Estados Unidos.

Os dados sugerem que a agenda internacional do governo teve impacto positivo na percepção pública do presidente, especialmente em um momento de busca por estabilidade institucional e econômica.

Desenrola 2.0 encontra apoio popular

O programa Desenrola 2.0 também aparece como um dos fatores que contribuíram para a melhora da avaliação do governo.

Segundo a Quaest, 50% dos entrevistados consideram o programa uma boa ideia. Entre os entrevistados, 38% acreditam que a iniciativa ajudará muito na redução do endividamento das famílias, enquanto 27% avaliam que ajudará pouco. Outros 33% afirmam que o programa não terá efeito relevante.

O levantamento mostra ainda apoio significativo à restrição de apostas online para beneficiários do programa, tema que ganhou força após o avanço das chamadas “bets” no país.

Caso Master e rejeição de Jorge Messias têm baixo nível de conhecimento popular

Apesar da forte repercussão política em Brasília, parte dos temas institucionais recentes ainda é pouco conhecida pela população.

Segundo a pesquisa, 54% dos entrevistados afirmaram não ter conhecimento das investigações relacionadas ao caso Banco Master envolvendo o senador Ciro Nogueira.

Mesmo assim, 46% disseram acreditar que o escândalo afeta negativamente todos os poderes da República.

Já sobre a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, 61% afirmaram desconhecer o episódio. Entre os que conheciam o caso, 38% aprovaram a decisão do Senado e 35% desaprovaram.

Economia segue como eixo central do humor do eleitorado

Os números da Quaest indicam que a percepção econômica continua sendo um dos principais fatores para a avaliação do governo e para o cenário eleitoral de 2026.

A pesquisa mediu percepção sobre inflação, emprego, poder de compra e expectativa econômica para os próximos 12 meses.

Também identificou preocupação crescente da população com custo de vida e renda familiar.

Ao mesmo tempo, programas de impacto direto na renda, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, aparecem como instrumentos com potencial político relevante para o governo.

Cenário ainda aberto

A rodada da Quaest reforça um diagnóstico que vem se consolidando nos bastidores políticos de Brasília: embora o governo tenha interrompido a trajetória de desgaste observada nos primeiros meses do ano, o ambiente eleitoral segue altamente competitivo e polarizado.

Os dados indicam uma recuperação parcial da imagem do governo, mas também mostram que a rejeição permanece elevada e que a disputa presidencial ainda está distante de qualquer definição.

A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre os dias 8 e 11 de maio de 2026, com 2.004 entrevistas presenciais em todo o país. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03598/2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

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