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Créditos: CBF

Podemos definir assim o campeonato brasileiro de 2020. Em ambas pontas da tabela a disputa é acirrada. O sonho do título nacional e o pesadelo do rebaixamento para a segunda divisão, mexem com os ânimos de praticamente todos os clubes que disputam a elite nacional.

O fato de estarmos vivendo em uma pandemia – o que faz do já apertado calendário brasileiro ainda mais devastador para as equipes que disputam outras competições, e além disso não podermos contar com público nos estádios – talvez pudesse explicar essa dificuldade em projetar um futuro campeão e os rebaixados.

Contudo, na minha opinião, no que diz respeito ao equilíbrio no topo, a explicação é fácil: a inconstância do Flamengo. Afinal, após um 2019 quase perfeito esperava-se que o rubro-negro carioca pudesse ser tão dominate quanto a temporada anterior. Porém, após a saída do técnico português Jorge Jesus o atual campeão brasileiro e da libertadores ainda não conseguiu repetir o futebol dominante do ano passado. 

O coronavírus, os desfalques causados por lesão e pelos jogos da seleção, sem dúvidas, prejudicaram o Flamengo. Mas, tamanha a força de seu elenco, esperava-se que mesmo com essas adversidades o time de maior torcida do país estivesse na liderança do campeonato.

Porém, nesse momento o Flamengo é o terceiro colocado, atrás do Atlético MG e do São Paulo. O tricolor paulista, aliás, talvez seja a principal surpresa positiva desta edição do brasileirão. Afinal, não foram as poucas vezes em que a torcida pediu a cabeça do treinador Fernando Diniz. Agora, Diniz aos poucos vai caindo nas graças do são-paulino que sonha em sair da seca de 8 anos sem comemorar um título.

Outros candidatos

Além dos três primeiros colocados, Inter, Palmeiras, Santos, Grêmio e Fluminense (este último outra boa surpresa positiva no campeonato) também sonham com o título. O colorado gaúcho, inclusive, chegou a liderar o certame por dez rodadas. No entanto, após a saída do treinador argentino Eduardo Coudet para o Celta de Vigo da Espanha, o Internacional agora comandado por Abel Braga não parece ter forças para buscar a voltar a vencer o maior campeonato nacional – o que não ocorre desde 1979.

Entre esses, Grêmio e Palmeiras são os times que têm mais elenco para incomodar os três da ponta. Contudo, com ambos ainda vivos na Libertadores e Copa do Brasil, é possível que acabem priorizando as copas e deixando assim a disputa pelo título entre Atlético, Sâo Paulo e Flamengo. 

O desespero para fugir da degola

Se o equilíbrio na parte de cima já é significativo, a luta pelo rebaixamento promete ser ainda mais emocionante. Afinal, a partir do nono colocado Fortaleza, todos devem correm riscos de estar na segunda divisão ano que vem. São 11 times com possibilidades reais de caírem para a segunda divisão. 

Apesar de que, sejamos honestos, talvez apenas uma vaga esteja em aberto. Pois já podemos contar que o lanterna Goiás estará fora da elite ano que vem. E os incompentetíssimos Coritiba e Botafogo – há não ser que façam o que não fizeram até agora e consigam uma sequência significativa de vitórias – também devem se juntar ao esmeraldino goiano na segunda divisão de 2021. 

Mas, a partir daí, o que temos é uma disputa acirrada e indesejada entre nove times. O baixo nível apresentado por estes clubes torna ainda mais difícil fazer uma previsão. Além do Botafogo, outros grandes do eixo Rio-São Paulo como Corinthians e Vasco também se encontram ameaçados. 

Clubes como Bahia e Athletico podemos dizer que são a surpresa negativa na parte de baixo da tabela. Afinal, esperava-se mais do tricolor baiano e do atual campeão da Copa do Brasil. Por outro lado, a dupla cearense, dentro de suas limitações de orçamento, mostra que é possível fazer um com campeonato mesmo com muito menos dinheiro que alguns de seus concorrentes.

Com pouco menos de um turno ainda a ser jogado, a verdade é que independente da qualidade – ou da falta dela – de futebol -, devemos ter emoção até às últimas rodadas do brasileiro.

Nos cabe aguardar.

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