Ministério da Saúde lança aplicativo que estimula uso de remédios sem eficácia comprovada contra Covid-19

Foto: Divulgação

O Ministério da Saúde lançou nesta semana o aplicativo “TrateCOV” que na teoria visa auxiliar os profissionais da saúde no diagnóstico, e “no tratamento” da Covid-19, mas na prática incentiva o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença causada pelo novo coronavírus.

De acordo com a pasta, o TrateCOV ajuda a diagnosticar a doença, após o médico cadastrar sintomas do paciente e comorbidades, como diabetes, por exemplo. Em seguida, a plataforma sugere a prescrição de medicamentos como hidroxicloroquina, cloroquina, ivermectina, azitromicina e doxiciclina, do conhecido kit-covid do Ministério da Saúde.

O ministério diz que as sugestões são de “opções terapêuticas disponíveis na literatura científica atualizada”, e ressalta que o objetivo é aprimorar e agilizar os diagnósticos e o tratamento da covid-19, ” guiado por rigorosos critérios clínicos”. Entretanto não há comprovação de que os referidos medicamentos que vêm sendo reforçados pelo governo federal no decorrer da pandemia (como ivermectina e cloroquina) tenham eficácia contra a covid-19.

De acordo com a pasta, a plataforma é “um novo método científico na Atenção Primária à Saúde (APS)” que auxiliará os profissionais de saúde na coleta de sintomas e sinais de pacientes, e agilizará os diagnósticos da Covid-19. “Os profissionais de saúde irão utilizar um protocolo clínico para fazer um diagnóstico rápido da doença através de um sistema de pontos que obedece rigorosos critérios médicos. Assim, o diagnóstico sai mais rápido e o tratamento tem início precocemente, contribuindo na redução de internações e óbitos por Covid-19”, relatou.

No aplicativo, são incluídas também informações sobre lugares frequentados pelo paciente ou contato com pessoas que tenham testado positivo para covid-19. Ao final, é apresentada uma pontuação de gravidade. Se for seis pontos ou mais, é dado o diagnóstico da doença.

Em seguida, surge a opção de receber ou não tratamento precoce. Caso a resposta seja afirmativa, aparecem os nomes dos medicamentos, junto com as doses e quantidade de dias a serem administrados. Caso a resposta seja não, o médico precisa indicar o motivo: recusa do paciente, falta de medicamento, contra indicação médica ou outros.

Teste em Manaus

Diante do cenário epidemiológico atual, a capital do Amazonas foi escolhida para estrear o TrateCOV. A prefeitura de Manaus, com apoio do Governo do Amazonas, está em processo de exportação do cadastro dos médicos para a plataforma. Até o momento, 342 profissionais já foram habilitados.

Além disso, serão instaladas tendas ao lado dos postos de saúde em Manaus, onde profissionais serão capacitados para utilizar a ferramenta e atender rapidamente aos pacientes que chegam às unidades com sintomas de Covid-19.

Assim que terminar o processo de cadastro e capacitação, o TrateCOV entrará em ação para auxiliar os médicos de todas as unidades de saúde do município. Depois desta experiência, o aplicativo poderá ser ampliado para outras regiões do País.

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