COLUNA DO MEIO

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Por Otávio Costa

Assumir a sua sexualidade é, ainda, um ato político

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Foto: Ilustração/Pixabay

No mês de julho deste ano vimos algumas figuras públicas utilizando a televisão aberta, em especial a rede globo, para saírem do armário – utilizando uma categoria êmica de nossa comunidade que significa revelar sua sexualidade – como os casos do governador Eduardo Leite e dos atores Carmo Dalla Vacchia, Bárbara Paz e Tiago Abravanel. 

Com certeza a saída do armário do Eduardo Leite foi a que gerou mais polêmica e repercussão, uma vez que durante o período eleitoral o governador apoiou abertamente a candidatura de Jair Bolsonaro. As críticas ao Eduardo foram muitas e também necessárias, mas não entrarei nesse mérito uma vez que este não é o objetivo do presente texto. 

Quando vejo pessoas e figuras públicas assumindo suas sexualidades sempre  lembro de uma frase dita por uma amiga travesti, que: “não é fácil se assumir no Brasil!”. E ela tem total razão. Nesses anos todos em que faço parte do movimento LGBTQI+ percebo a angústia que é ter que esconder um aspecto tão importante de nossas vidas, o medo causado pela possibilidade de terem suas sexualidades expostas e o sofrimento que isso traz. 

Não se trata de viver uma vida dupla como muitos diziam, é uma vida cerceada; é ter que mentir e omitir sobre seus afetos, prazeres e amores, ter que esconder suas paixões, seus amigos e suas relações. 

Ver pessoas públicas ganhando destaque e sendo incentivadas a assumirem suas sexualidades faz despertar a sensação de que existem outras possibilidades de ser e se entender como pessoa LGBTQI+ dentro da sociedade. 

Além disso, permite que essa questão seja discutida e debatida trazendo visibilidade para o movimento e ampliando a referência daquilo que as pessoas entendem sobre o que é a diversidade sexual. 

Para trazer um exemplo pessoal, quando eu assumi para o meu pai que sou gay a nossa conversa não foi fácil, houve choro por parte dele, medo de que eu fosse vítima de violência homofóbica e o não entendimento de como seria a minha vida a partir desse momento. Passado alguns anos percebo que meu pai ainda tem certa dificuldade em lidar com essa questão. No domingo que o ator Carmo Dalla Vacchia assumiu a sua sexualidade nós estávamos assistindo o programa, quando o assunto começou reparei que ele parou de olhar para o celular e passou a prestar atenção na fala do ator. 

Com esse breve relato não estou com a intenção de personalizar a discussão proposta nesta coluna, mas sim ilustrar como a presença de homossexuais e outras pessoas LGBTQI+ na mídia atinge a população em geral e traz para o campo público a discussão sobre representatividade, visibilidade e diversidade sexual e de gênero.    

Nesse sentido, assumir nossa sexualidade é ainda um ato político sejamos nós pessoas públicas ou não. Todas as pessoas LGBTQI+ sabem a dificuldade que é contar, dizer, aquilo que somos e sabemos também a coragem que isso carece. 

É importante considerar também que a saída do armário é constante em nossas vidas uma vez que em diferentes espaços somos questionados sobre esse campo ou precisamos nos posicionar enquanto LGBTQI+. 

Sair do armário nunca é fácil, mas com o tempo nos acostumamos e espero que cada vez mais pessoas possam romper com esse peso e viver suas vidas como aquilo que são, ou que desejam ser.

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