Uso do símbolo com laço multicolorido evidenciaria autorização para uso por autistas. – Foto: Canva

Na maioria das vezes, quando se discute políticas públicas para atender pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), se pensa em crianças. Projetos de inclusão nas escolas, adaptação em outros meios e assim por diante. No entanto, os autistas envelhecem, e nem sempre a sociedade está preparada para entender, e atender estas pessoas.

O Igor Lucotti tem 17 anos, e tem autismo. Nasceu em Curitiba, mas por conta da profissão do pai sempre morou fora do Brasil. Atualmente frequenta uma escola na cidade de Blacksburg, no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos. Segundo Marcelo Lucotti, pai do Igor, lá eles têm todo atendimento necessário, mas também estão lutando para resolver pequenos problemas que estão relacionados basicamente à informação. “Quando as pessoas entendem as necessidades, percebem que com pequenas ações, é possível dar mais qualidade de vida para os autistas e seus familiares”, explicou Marcelo.

E uma das solicitações da família pode virar lei em Curitiba. De acordo com Marcelo, em casa, Igor é independente e consegue utilizar o banheiro sozinho, mas em outros ambientes, como shoppings, aeroportos, rodoviárias, supermercados, ele precisa ir ao banheiro acompanhado dos pais. “O Igor, apesar de ter apenas 17 anos, já é um homem formado e tem até barba. Sempre quando entramos em um banheiro público juntos, de mãos dadas, somos abordados por algum segurança, principalmente porque ele acostumou fazer xixi sentado. E esta abordagem é constrangedora para mim e para ele também”, explicou Marcelo.

Se esta é uma situação difícil, muito pior quando ele está acompanhado da mãe. Sempre surge a dúvida: qual o banheiro utilizar? O masculino ou feminino? Foi pensando em resolver esse impasse que o vereador de Curitiba, Jornalista Márcio Barros (PSD), criou um projeto de Lei que regulamenta o banheiro família. “A proposta é adequar a regulamentação. O banheiro família, que é para a utilização de crianças até 10 anos acompanhadas pelo responsável, também poderá ser de uso de autistas e outras pessoas com deficiência intelectual adultas”, explicou o vereador.

O projeto, que está tramitando na Câmara de Vereadores da capital paranaense, foi apresentado na XX Marcha de Legislativos Municipais, que aconteceu em Brasília, na semana passada e foi reconhecido com o prêmio Destaque Nacional.

“Uma ação pequena, que para muitas pessoas pode parecer insignificante, mas para os autistas e seus familiares, é uma questão de qualidade de vida, respeito, cidadania e mais uma conquista para a causa autista”, completou o vereador.

O projeto já passou pela Comissão de Constituição e Justiça e deve passar por outras comissões até seguir para votação em plenário.

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