Policiais são denunciados por violência contra adolescente em Colégio Cívico-Militar de Imbituva

Foto: MPPR

O Ministério Público do Paraná, por meio da Promotoria de Justiça de Imbituva, no Sudeste do estado, denunciou, nesta quinta-feira (9), dois policiais militares aposentados por crimes praticados contra um adolescente, estudante do Colégio Cívico-Militar de Imbituva, município da região central do Estado.

Os policiais denunciados atuavam como monitor e diretor militar do colégio. Eles são acusados de constranger, ameaçar e agredir fisicamente o jovem e, ainda, ameaçar uma funcionária da Assistência Social do município para que ela não falasse tudo o que sabia.

Na denúncia, a Promotoria de Justiça relata que, no dia 6 de agosto deste ano, durante o turno escolar, o agente militar que atuava como monitor na instituição de ensino interrompeu uma aula que estava sendo ministrada e retirou um adolescente de sala. A razão seria repreender o aluno por ter desenhado uma folha de maconha e escrito a frase “vida loca” em sua carteira escolar.

O monitor teria ameaçado o estudante, afirmando “que já tinha matado vários e que ele não iria fazer diferença”, e ainda o agredido fisicamente, com um soco na nuca. Ao retornarem para a sala de aula, o policial ainda teria submetido a vítima a constrangimento, obrigando-a a limpar a carteira escolar na presença dos demais colegas de classe e da professora.

Tentativa de evitar a punição

Após os fatos, tanto o monitor como o diretor militar do Colégio, também policial, teriam procurado a equipe de psicólogos, pedagogos e assistentes sociais que atuam no Município solicitando que o ocorrido não fosse levado ao conhecimento do Ministério Público. Os agentes policiais também teriam pedido à secretária de Assistência Social para que “amenizasse” o relato sobre os crimes à Promotoria de Justiça. 

Além de não ter adotado, portanto, as medidas necessárias quando tomou conhecimento acerca da conduta do monitor, o diretor do Colégio Militar ainda teria atuado para evitar a punição de seu subordinado. Assim, somado aos crimes de corrupção passiva e prevaricação, o diretor também teria incorrido no crime de ameaça, uma vez que, em conversa com a secretária da Assistência Social de Imbituva, teria afirmado que “ficou sabendo que já teve um caso de uma criança da Casa Lar tacar fogo no carro do conselho, que Deus o livre se fizer isso com meu carro, ainda bem que não tenho porte de arma”, insinuando que o adolescente poderia morrer, com um tiro, caso ele tivesse uma arma.

A ação penal tramita na Vara da Auditoria Militar.

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