COLUNA DO MEIO

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Por Otávio Costa

Prazer, meu nome é ‘Lésbica’

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Foto: Ilustração/Pixabay

Por Helena Putti Sebaje da Cruz*

Prazer, meu nome é ‘Lésbica’. O mês de agosto é considerado o mês da visibilidade lésbica, em que se discute a saúde – física e mental -, o corpo, a morte e o trabalho de lésbicas. Mas, afinal, o mês de agosto adianta para algo?

Pessoalmente, acho importante termos um mês para discutirmos assuntos relacionados à vida de lésbicas. Na prática, entretanto, são ignoradas a existência e as necessidades dessa comunidade pelo resto do ano. 

Um grande exemplo é o caso do assassinato de Ana Paula Campestrini, em Curitiba. Indícios mostram que o possível mandante foi o ex-marido, que por razões financeiras matou Campestrini. Mas, as coisas mudaram de plano quando a namorada dela se manifestou. A história aponta, possivelmente, para um caso de lesbofobia, mas constatado como um caso de feminicídio. Sua sexualidade não foi considerada um provável motivo para seu homicídio.

 Além de outras centenas de casos como o de Ana Paula Campestrini, também podemos pensar em casos que não envolvem a morte de uma lésbica. Eventos como a invisibilização da sexualidade de pessoas com expressão de gênero feminina, o apagamento de uma profissional por sua orientação e os diversos comentários lesbofóbicos e machistas presentes na nossa sociedade. São vários exemplos, todos eles mostrando que, muitas vezes, o discurso que é feito por pessoas não lésbicas ao longo de agosto, é contraditório. 

Como lésbica não alinhada ao feminino, passei por muitas experiências em que eu precisei reafirmar minha sexualidade por pressão social: beijar outra mulher quando na verdade não queria; ser sexualmente ativa quando eu prefero – o famoso – bolo; não poder demonstrar meus sentimentos, pois isso negaria minha expressão de gênero. Todos esses são exemplos de apagamentos. Muitos deles foram feitos, até mesmo, quando eu estava com pessoas LGBTI+. 

Na minha experiência, o pior dos apagamentos ocorre quando alguém se refere a mim apenas como “lésbica”. Sem perguntar meu nome, o que eu faço da vida, como eu me sinto, ou o que quero. Apagar a pessoa por trás da sexualidade também é invisibilizar. Não é feito apenas com lésbicas, mas também com outras pessoas da comunidade LGBTI+ e é algo que deve ser mais discutido, já que somos tantas coisas além de nossa orientação sexual e identidade de gênero. 

Apesar disso, falar de visibilidade lésbica e lutar por essa visibilidade também é algo que nos faz interagir tanto no nosso meio, quanto fora. Isso nos faz ter voz o suficiente para lutarmos ao longo dos outros doze meses do ano sobre nossos direitos e nossas necessidades, enquanto destacamos nossa existência e questionamos casos de invisibilização.

Lésbicas não estão aqui como enfeites. Escutei uma vez de uma autora que só de estarmos vivas somos resistência e que isso nos dá direito de sermos mais do que nossa sexualidade. Essa frase me tocou, por deixar claro que, devido a sociedade machista, lesbofóbica e racista em que vivemos, existirmos significa que estamos vencendo; mais que isso: estarmos vivas e ocuparmos cargos que queremos – não somente aqueles designados para nós – é uma forma de resistência e de visibilidade. 

Não ser somente lésbica, mas levantar a bandeira com muito orgulho, me faz pensar que agosto adianta de algo. Esse mês inspira outras pessoas, assim como me inspirou a viver minha vida da minha maneira. Logo, não é só pela minha sexualidade e pela minha comunidade que eu vivo, mas por mim mesma, espero que outras pessoas pensem assim ou consigam pensar assim, podendo viver suas vidas com o máximo de plenitude possível.

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