Segundo o engenheiro Francisco Pedrazzi, Gerente Global de Relações Institucionais Argentina, Uruguai, Brasil e Paraguai na AD Barbieri SA, matriz argentina da Barbieri do Brasil, não há mais dúvidas sobre a influência das emissões de gases do efeito estufa gerados pela atividade humana nas mudanças climáticas. E o segmento da construção civil, apesar de ser fundamental para o desenvolvimento do país, é um dos que mais impactam o meio ambiente. Mesmo com a pandemia, a expectativa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) é de um crescimento de 4% do segmento em 2021.

Dentre os principais impactos ambientais das construções está a poluição por quem desrespeita normas ambientais e de edificações. O mau armazenamento de insumos e descarte inadequado de resíduos e esgoto pode acabar contaminando o solo e até mesmo o lençol freático na proximidade de uma obra, para citar um exemplo. Outro aspecto importante é que uma nova edificação significa aumento no consumo de recursos como energia elétrica e água. O desperdício de recursos hídricos é um ponto extremamente relevante, uma vez que é muito difícil de ser controlado e quantificado durante uma obra em andamento.

De acordo com o Conselho Internacional da Construção (CIB), a indústria da construção consome mais de um terço dos recursos naturais extraídos no Brasil e 50% da energia gerada abastece os canteiros de obras. Além disso, o setor também é um dos que mais produzem resíduos sólidos, líquidos e gasosos, responsável por mais de 50% dos entulhos gerados por construções e demolições.

Mas então qual seria a solução? Para Pedrazzi, a indústria da construção é um dos maiores emissores de gases do efeito estufa. A emissão de CO2 dos produtos de construção, em geral, corresponde a dois fatores: a energia consumida no processo de fabricação e as emissões diretas produzidas nesse processo.

“Aço, cerâmica, cimento, etc. são grandes emissores de CO2, portanto, seu uso deve ser reduzido ao mínimo possível. Obviamente, cumprindo as normas de segurança que as construções exigem. O uso de materiais como o aço e isolantes térmicos, que com menos massa cumprem todas as funções que uma construção requer, é uma grande contribuição para mitigar as mudanças climáticas”, explica.

Mas as emissões de CO2 são apenas parte do problema, já que a sustentabilidade das edificações é um aspecto multifuncional. Existem muitos outros fatores que influenciam um edifício a ser sustentável além de economizar energia (que também é um dos aspectos mais importantes e tem impacto direto nas emissões de CO2). dentre eles, o engenheiro cita a redução de canteiros de obras para minimizar o impacto no meio ambiente, a redução do desperdício, a possibilidade de reciclar ou reaproveitar materiais de construção após o fim de sua vida útil, a emissão de compostos voláteis durante a operação da edificação, a redução do consumo de água, os parâmetros de projeto (proteções passivas, luz solar, ventilação natural), entre outros. “Estes aspectos são levados em consideração pelos diferentes sistemas que permitem avaliar a sustentabilidade de uma edificação, seja com escalas numéricas ou através do estabelecimento de limites”, explica Francisco.

A escolha dos materiais

Pedrazzi chama a atenção para alguns parâmetros que podem ser úteis para avaliar a escolha de um material de acordo com seu ciclo de vida, como analisar qual impacto esse material terá ao longo do tempo e de acordo com seus atributos ou propriedades, seja qualidade e desempenho; composição química; melhoria do ambiente interno qualidade do ar; comportamento ao fogo; conservação, economia de energia e eficiência energética; durabilidade; degradabilidade ou compostabilidade do material. 

Segundo Pedrazzi, a seleção dos materiais deve ser considerada como uma atitude transformadora a partir de critérios que priorizam a saúde das pessoas, o cuidado com o meio ambiente e a preservação do planeta.

Atualmente, a possibilidade de ter produtos com EPD (Declaração Ambiental de Produto) no Brasil é outra ferramenta importante na tomada de decisões. A EPD é um relatório de todas as entradas e saídas dos diferentes aspectos do produto (energia, emissões de CO2 e outros gases, emissões de produtos potencialmente tóxicos, consumo de água, etc.), desde a obtenção de matéria-prima até o descarte final em final de vida útil. É neste último aspecto que também podem ser avaliados os materiais e seu impacto no ambiente pós-demolição. Lá o reaproveitamento e a reciclagem assumem grande importância.

Como é possível avaliar a sustentabilidade de uma construção?

Existem vários sistemas para avaliar quão sustentável é uma construção. Idealmente, ao começar a desenvolver a planta do edifício, deve-se considerar quais são os aspectos que influenciarão posteriormente na determinação de sua classificação. Diferentes alternativas devem ser avaliadas, como o tipo de estrutura, tipos de invólucros, revestimento, entre outros, para escolher a solução mais sustentável.

“Nesta fase, é muito útil consultar alguns aspectos básicos: paredes perimetrais têm uma grande influência no consumo de energia subsequente e, portanto, na classificação de sustentabilidade. A escolha de janelas eficientes resultará em menor consumo de energia e, portanto, menores emissões de CO2”, explica o engenheiro.

Nas últimas duas décadas, vários métodos foram desenvolvidos e aplicados para avaliar e certificar a qualidade do edifício ou projeto, estabelecendo o seu grau de sustentabilidade. Seu uso é voluntário, mas esses sistemas de avaliação fornecem arquitetura com valor agregado para competir no mercado: Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), GREEN STAR, WEEL, etc.

Mas será que todos os materiais considerados recicláveis contribuem da mesma forma para a sustentabilidade? A resposta do engenheiro é: “Não”. Segundo ele, além do potencial de reciclabilidade e seu percentual, deve se considerar se existe um ciclo estabelecido para sua recuperação e reciclagem.

“O aço, em suas diferentes formas, não só tem possibilidade de reaproveitamento, mas também há um circuito de recuperação de sucata de aço que permite sua utilização na fabricação de aço novo. Outro aspecto importante a se considerar é que o aço é 100% reciclável e não guarda memória de usos anteriores. O que hoje é a carroceria de um carro vai virar perfil, e esse perfil, se não for reaproveitado, pode virar uma geladeira”, explica.

Pedrazza chama a atenção para a sustentabilidade dos edifícios. Esse já é um fator cada vez mais importante na tomada de decisões, passando de edifícios comerciais e de serviços para residenciais. “A consciência ambiental cresce a cada dia, e a construção civil não é estranha a isso”, conclui.

Colaboração Assessoria de Imprensa

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