A Meta divulgou que mais de 6,8 milhões de contas foram banidas no WhatsApp entre janeiro e junho de 2025. O número reflete a intensificação do combate a práticas que violam as políticas da plataforma, especialmente o uso de ferramentas não homologadas e envios em massa sem autorização dos destinatários.
O bloqueio de contas comerciais tem sido recorrente no Brasil, segundo relatos de empresas que utilizam o aplicativo para comunicação com clientes, como a Hablla. De acordo com Marcus Barboza, cofundador da startup brasileira de IA certificada pela Meta como Business Solution Provider, o problema afeta negócios de diversos portes diariamente.
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"Recebemos clientes todos os dias na Hablla enfrentando esse problema de banimento. Muitos perderam todo o histórico de conversas e o contato com a base de clientes de uma hora para outra. O impacto operacional é devastador, principalmente para empresas que dependem do WhatsApp como principal canal de vendas e atendimento", afirma Barboza.
Principais causas dos bloqueios
Os banimentos ocorrem quando os algoritmos de segurança da Meta identificam padrões de comportamento considerados suspeitos. Entre as principais infrações estão o uso de versões modificadas do aplicativo, como GB WhatsApp, WhatsApp Plus e Aero, que não são homologadas pela empresa.
Outra causa frequente é o disparo de mensagens em massa através de APIs não autorizadas, conhecidas como "piratas". Essas ferramentas simulam interações humanas de forma irregular, contrariando as políticas da plataforma.
A compra de listas de contatos e o envio de mensagens sem consentimento prévio dos destinatários também estão entre os motivos que levam ao bloqueio. Segundo pesquisa da Opinion Box realizada em 2025, 69% dos brasileiros consideram o WhatsApp um canal adequado para comunicação com empresas, mas 59% rejeitam respostas automáticas e 18% bloqueiam empresas desconhecidas antes mesmo de visualizar as mensagens.
"A maioria dos bloqueios que observamos acontece por desconhecimento técnico. As empresas querem resultados rápidos e acabam recorrendo a soluções que prometem facilidade, mas que na verdade colocam a operação em risco total. Quando o banimento acontece, não há aviso prévio da Meta e a perda é irreversível", explica o cofundador da Hablla.
WhatsApp como canal estratégico no Brasil
O WhatsApp possui penetração de 99% entre os brasileiros conectados à internet, totalizando aproximadamente 147 milhões de usuários ativos no país, segundo dados da Statista. O Brasil é o segundo maior mercado mundial do aplicativo, atrás apenas da Índia.
Segundo o relatório CX Trends 2025, desenvolvido pela Octadesk em parceria com a Opinion Box, 30% dos consumidores brasileiros utilizam o WhatsApp para realizar compras, enquanto 33% preferem o canal no pós-venda.
A centralidade do WhatsApp na comunicação comercial brasileira torna os banimentos especialmente críticos. Empresas que perdem acesso à plataforma enfrentam interrupção imediata no relacionamento com clientes, perda de histórico de conversas e, consequentemente, queda nas vendas.
API oficial como alternativa
A Meta oferece o WhatsApp Business API como solução oficial para empresas que necessitam de automação e integração com sistemas de atendimento. A partir de 15 de janeiro de 2026, a plataforma implementou bloqueios mais rigorosos contra ferramentas não autorizadas, intensificando a fiscalização sobre conexões irregulares.
A API oficial funciona através de provedores certificados pela Meta, conhecidos como Business Solution Providers. Esses provedores garantem conformidade com as políticas da plataforma, incluindo o uso de templates pré-aprovados e o respeito ao consentimento dos destinatários, requisito previsto na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Desde julho de 2025, a Meta adotou o modelo de precificação por mensagem entregue, substituindo o sistema anterior de janelas de conversa. Os valores variam conforme a categoria da mensagem, sendo marketing, utilidade, autenticação e serviço. Mensagens de serviço, iniciadas pelo cliente, permanecem gratuitas dentro da janela de 24 horas.
"Migrar para a API oficial não é apenas uma troca de ferramenta, é uma mudança de mentalidade. A empresa passa a operar dentro das regras, com templates aprovados, métricas de qualidade monitoradas e zero risco de banimento. A diferença na taxa de entrega e na qualidade do relacionamento com o cliente é notável"
Conformidade com regulamentações
Em novembro de 2025, a Agência Nacional de Proteção de Dados publicou o Despacho Decisório número 11/2025, determinando que o WhatsApp realize auditoria externa independente sobre o compartilhamento de dados com a Meta. A decisão reforça a necessidade de transparência no tratamento de informações pessoais.
O uso de ferramentas não autorizadas para envio de mensagens comerciais, além de violar as políticas do WhatsApp, pode configurar tratamento irregular de dados pessoais, sujeitando as empresas a sanções previstas na LGPD.
Marcus ainda frisa que "a centralização da comunicação comercial em plataformas digitais exige que as empresas adotem soluções que garantam conformidade regulatória e sustentabilidade operacional. O risco de banimento, somado às implicações legais relacionadas ao tratamento inadequado de dados, reforça a importância da adoção de ferramentas oficialmente homologadas para operações no WhatsApp".

