A menopausa vai muito além do fim da menstruação. Embora seja um processo natural do envelhecimento feminino, essa fase pode provocar alterações importantes no cérebro, influenciando memória, atenção, sono e estabilidade emocional.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 30 milhões de mulheres brasileiras estão na faixa etária do climatério e da menopausa — o equivalente a 7,9% da população feminina do país. Dados publicados na revista científica Climacteric indicam que 82% dessas mulheres apresentam sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida.
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Segundo a Biblioteca Virtual em Saúde, a menopausa é definida pela ausência de menstruação por 12 meses consecutivos, sendo determinada de forma retrospectiva. O marco representa o encerramento permanente do ciclo reprodutivo feminino e costuma ocorrer entre os 45 e 55 anos.
Alterações cerebrais em evidência
Estudos recentes vêm ampliando o entendimento sobre os efeitos da menopausa no cérebro. Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, analisou dados de quase 125 mil mulheres e identificou alterações estruturais cerebrais associadas à transição menopausal. Entre os achados, está a redução de massa cinzenta em regiões relacionadas à memória, ao processamento de informações e à regulação emocional. As mudanças hormonais, especialmente a queda do estrogênio, desempenham papel central nesse processo.
De acordo com a gestora pedagógica e franqueada do Supera, Erica Oliveira, o estrogênio exerce função neuroprotetora ao longo da vida feminina. "No cérebro, ainda antes da menopausa, o estrogênio atua reparando danos nos neurônios e modulando enzimas responsáveis pela síntese e manutenção das conexões neurais. Ele participa diretamente dos mecanismos que sustentam memória, aprendizagem e equilíbrio emocional", explica. Com a redução progressiva desse hormônio, o cérebro passa por uma fase de reorganização funcional.
Memória e atenção podem ser afetadas
Entre as queixas mais comuns relatadas por mulheres nessa fase estão lapsos de memória, dificuldade de concentração e sensação de lentidão cognitiva. Segundo Erica, as alterações mais observadas envolvem memória episódica — aquela relacionada a fatos do dia a dia —, memória visual e verbal, fluência verbal, atenção e velocidade de processamento das informações. "Essas mudanças não significam necessariamente um processo patológico, mas refletem a adaptação do cérebro à nova configuração hormonal", afirma.
Um olhar ampliado no mês da mulher
Em março, quando se celebra o Dia Internacional da Mulher, a discussão sobre saúde feminina ganha ainda mais relevância. Especialistas destacam que a menopausa não deve ser tratada como tabu, mas como uma etapa que exige informação, acompanhamento e estratégias de cuidado.
A menopausa é um período que demanda atenção clínica e suporte emocional. Mudanças no estilo de vida, prática regular de atividade física, sono adequado, estímulo cognitivo e acompanhamento médico podem reduzir significativamente os impactos dessa fase.
Erica reforça a importância do olhar preventivo. "Quando compreendemos que o cérebro também passa por essa transição, conseguimos agir de forma mais consciente. A informação empodera a mulher para buscar apoio, fortalecer hábitos saudáveis e atravessar essa fase com mais segurança e qualidade de vida".
Mais do que o fim de um ciclo reprodutivo, a menopausa marca uma etapa de transformação biológica — e também de redescoberta. Entender o que acontece no cérebro é um passo fundamental para promover um envelhecimento feminino mais saudável e ativo.


