
Foto: Rodrigo Felix Leal/AEN
O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), anunciou nesta segunda-feira (23) a desistência da pré-candidatura à Presidência da República nas eleições de 2026. Segundo comunicado divulgado por sua assessoria, ele permanecerá no cargo até o fim do mandato, em dezembro de 2026.
A decisão foi tomada no domingo (22), após, de acordo com a nota oficial, “reflexão com a família”, e comunicada ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
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Ratinho Junior era, até então, o nome do partido com melhor desempenho nas pesquisas de intenção de voto. Levantamento da Quaest divulgado em março indicava o governador com 7% no primeiro turno, à frente de outros nomes do PSD, como Ronaldo Caiado (4%) e Eduardo Leite (3%).
Em simulações de segundo turno, Ratinho aparecia com 33% das intenções de voto, contra 42% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A diferença registrada era inferior à observada nos cenários envolvendo os demais pré-candidatos do partido.
Com a desistência, o PSD passa a concentrar suas articulações nacionais em torno de Caiado, governador de Goiás, e Leite, governador do Rio Grande do Sul.
Pressões políticas e reposicionamento
A movimentação ocorre em meio a negociações no campo da direita. Há menos de duas semanas, o senador Rogério Marinho (PL), ligado à coordenação política do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se reuniu com Ratinho Junior e solicitou que ele retirasse sua candidatura e apoiasse o projeto eleitoral do PL.
Durante o período em que manteve a pré-candidatura, o governador do Paraná buscava se posicionar como alternativa à polarização nacional. Ao mesmo tempo, defendia pautas como o projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
No comunicado oficial, Ratinho Junior afirmou que continuará à disposição do PSD e mencionou diretrizes como redução da burocracia, endurecimento de leis criminais e fortalecimento do agronegócio.
Impactos no Paraná
A saída do governador da disputa presidencial também reorganiza o cenário político no Paraná. Impedido de disputar um terceiro mandato consecutivo, Ratinho Junior ainda não indicou formalmente um nome para a sucessão estadual.
Entre os nomes discutidos dentro do PSD estão o deputado estadual Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa, e o secretário estadual de Cidades, Guto Silva.
Outro nome que participava das articulações era o de Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba. Na última semana, ele deixou o PSD e se filiou ao MDB, anunciando pré-candidatura ao governo do estado.
Próximos passos
Segundo o comunicado, após o término do mandato, Ratinho Junior pretende retornar à iniciativa privada e assumir a presidência do grupo de comunicação fundado por seu pai.
A decisão encerra, ao menos neste momento, a possibilidade de uma candidatura nacional do governador e redefine o papel do PSD na eleição presidencial de 2026.
Nota oficial na íntegra
“Após uma profunda reflexão, em conjunto com minha família, decidi não disputar a Presidência da República em 2026.
Agradeço ao PSD, na pessoa do presidente nacional Gilberto Kassab, pela confiança e pelo apoio ao meu nome durante esse período.
Continuarei trabalhando com dedicação total à frente do Governo do Paraná até o final do meu mandato, em dezembro de 2026, honrando os compromissos assumidos com a população paranaense.
Seguiremos contribuindo com o debate nacional e com o fortalecimento do nosso partido, defendendo pautas importantes para o desenvolvimento do Brasil, como a redução da burocracia, o incentivo ao empreendedorismo, o fortalecimento do agronegócio e o endurecimento das leis contra o crime.
Permanecerei à disposição do PSD e do país, sempre com o objetivo de colaborar com um projeto que promova crescimento, responsabilidade fiscal e melhoria na vida das pessoas.”

