
Morreu na manhã desta terça-feira (24), em Curitiba, aos 82 anos, a ex-deputada estadual e ex-vereadora Arlete Caramês. Ela ficou conhecida nacionalmente pela atuação em defesa de crianças desaparecidas, causa que abraçou após o desaparecimento do filho, Guilherme, em 1991, aos 8 anos.
Arlete morreu sem encontrar o filho.
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Natural de Porto União (SC), Arlete Caramês iniciou sua trajetória pública após o desaparecimento de Guilherme Caramês Tibúrcio, que saiu de casa para andar de bicicleta e nunca mais foi visto. O caso, até hoje sem solução, transformou a vida da então bancária, que passou a atuar como ativista.
Em 1992, fundou o Movimento Nacional da Criança Desaparecida do Paraná (CriDesPar), organização voltada à prevenção e localização de crianças desaparecidas, que a projetou nacionalmente.
A atuação de Arlete também contribuiu para a criação do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), da Polícia Civil do Paraná, estrutura pioneira no país dedicada exclusivamente a esse tipo de ocorrência.
Na política, foi eleita vereadora de Curitiba em 2000. Durante o mandato, integrou comissões importantes e foi autora de leis voltadas à proteção de crianças e adolescentes, como a que instituiu a Semana da Prevenção Contra o Desaparecimento de Crianças e Adolescentes no calendário oficial do município.
Em 2002, assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), onde ampliou sua atuação na área.
Entre os avanços associados à sua trajetória está a contribuição para a legislação que garante a busca imediata por crianças desaparecidas no Brasil, com comunicação rápida a órgãos de segurança e transporte.
A morte de Arlete gerou manifestações de autoridades e instituições. A Câmara Municipal de Curitiba destacou seu legado na defesa de crianças e adolescentes, enquanto lideranças políticas ressaltaram sua atuação marcada pela persistência e pelo compromisso com famílias de desaparecidos.
Informações sobre velório e sepultamento não haviam sido divulgadas até a última atualização desta matéria.
Arlete Caramês deixa como marca uma trajetória pública construída a partir de uma experiência pessoal, que se transformou em mobilização social e em políticas públicas voltadas à proteção de crianças e adolescentes no Brasil.




