As redes sociais deixaram de ser apenas espaços de interação pessoal e passaram a ocupar um papel relevante também na vida profissional. LinkedIn, Instagram, X (antigo Twitter) e TikTok se tornaram canais nos quais a forma de se comunicar e interagir pode impactar diretamente como as pessoas são percebidas nas empresas e no mercado.
"A presença e a exposição no mundo digital já fazem parte das nossas vidas. Hoje, o comportamento nas redes sociais também influencia a forma como colegas, lideranças e recrutadores percebem um profissional", comenta Milve Inouye, gerente de People & Culture no ManpowerGroup Brasil.
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Para ela, o aumento de conteúdos sobre carreira e bastidores do trabalho ampliou a necessidade de equilíbrio entre autenticidade e responsabilidade. "Não significa deixar de se expressar, mas entender que o ambiente digital também faz parte da vida profissional", diz.
Nos últimos anos, a construção da chamada marca pessoal se tornou mais frequente em diferentes setores. Ao mesmo tempo, empresas passaram a observar com mais atenção situações de impacto reputacional relacionadas ao comportamento online de seus colaboradores.
"As fronteiras ficaram menores. Muitas vezes, uma publicação feita em contexto pessoal pode gerar reflexos profissionais, principalmente quando há exposição excessiva ou comentários impulsivos", explica Milve.
Ela ressalta que o cuidado não envolve apenas evitar publicações polêmicas, mas também compreender o alcance e a permanência do conteúdo. "Tudo acontece muito rápido nas redes sociais. Uma postagem pode ser compartilhada, reinterpretada e alcançar públicos diferentes em poucos minutos", afirma.
Esse movimento tem levado empresas a ampliarem discussões sobre comunicação digital e comportamento online, incluindo respeito nas interações, confidencialidade e alinhamento com valores organizacionais.
Para a gerente, o tema acompanha mudanças mais amplas nas relações de trabalho, especialmente em um cenário de comunicação constante e trabalho híbrido. "Não é uma questão de controle, mas de consciência sobre os impactos das interações online", pontua.
Milve reforça que manter postura profissional não significa transformar o perfil pessoal em extensão do ambiente corporativo. "Nem todo mundo precisa produzir conteúdo sobre carreira ou publicar diariamente. O mais importante é manter coerência na forma de se comunicar e interagir nas plataformas", completa.
Ela acrescenta que autenticidade e responsabilidade não precisam ser conceitos opostos: "É possível construir uma presença digital natural e profissional ao mesmo tempo. O importante é entender que cada interação pública também contribui para a imagem construída ao longo da carreira".
Com as redes sociais cada vez mais integradas ao cotidiano corporativo, o debate sobre comportamento digital deve continuar avançando nas empresas, acompanhando transformações nas formas de trabalho, comunicação e relacionamento profissional.